Rápidas

28.8.05

A carta, a tal carta levei uma tarde inteira para matutar, uma noite inteira para construir e um dia inteiro pensando nela. Carta que, apinhada de sinceridades ficou difícil de digerir, eu sei. Entrei pela noite organizando minhas constatações, deflagrei o que considerava relevante e agravante, suprimi a raiva para que a clareza se fizesse única. Nem por isso a carta é mansa. É uma resposta. Resposta a tudo o que se fazia escuso para mim. Posso rememorar parágrafos completos tão repensada. Sim, a carta é uma alforria própria. Sentenças econômicas de frases necessárias. Houve no entanto muito a dizer. Então a carta ficou longa, mas justa. E de entender triste. Mágoa? Todo o resíduo decantado dela.

Torci para que o dia amanhecesse nublado dando-me entusiasmo, como torci. Mas nasceu ensolarado e quente, o desavisado. A carta martelou e martelou minhas conversas telefônicas, meu almoço, meus compromissos e meu trânsito daqui para lá, para acolá e para cá. As frases vinham ora soltas ora em blocos. Os significados luziam enquanto pensava no que você sentirá ao ler a carta, no que você me responderá, embora o espaço seja escasso. Sei que há réplicas e talvez tréplicas possíveis. Mas há o indelével comigo nelas. Mandei a carta.

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