Rápidas

7.10.08

It's easy to do what i do.
During the day i work with the projects of others, to earn money.
At night i work with my own projects, to make sense.

"O drama pessoal, para não falar nacional, reduz, e na verdade chega mesmo a negar, a capacidade que o escritor tem de chegar ao distanciamento estético obrigatório para a produção de uma obra de arte duradoura."

Joseph Brodsky

26.12.05

Avícola

A cicatriz ali, na vertical do peito. Aquele coração já tocado pelas mãos de alguém. A energia interrompida, o corpo rompido por uma disfunção, acidente, descontrole, rompimento de veia ou vaso. E ele inteiro novamente, costurado, recuperado. O coração pulsando lá dentro do peito, que fora aberto como o peito de um frango assado ao ser cortado com tesoura para que o osso torácico se dividisse ao meio, fosse dividido e a carne mastigada, comida.
O peito raspado, a pele riscada e cindida. A mesa não era dominical ou natalina. Operação. Ao ser aberto, aquele peito de homem estava cru. Sangue banhando os órgãos, tecidos lubrificados, veias interligadas, coração batendo, vivo. A luta ali era pela vida. Luta que o frango perdera. Nenhum cirurgião lhe colocaria um marca-passo, nenhuma anestesia lhe seria aplicada para que na hora da sua morte ele não sentisse dor, ao menos menos dor. Então a tesoura lhe corta o peito, a carne branca e assada se rompe, o peito do frango é servido a um amigo, um familiar ou um desconhecido convidado.
E aquele que leva a cicatriz no peito reconheço, é meu homem. Ele come frangos.

Da fofa em 2002

Pensava eu, queria mesmo tomar um porre ontem. Esforcei-me, misturei vinho e cerveja, fumei um baseado apertado e muitíssimo fino -irritante!-, recebi poucos amigos, que me deixariam ser incoveniente e excessiva, caso atingisse corretamente meu objetivo simples. Que obviamente não se deu. Já sozinha,de objetivos zonzos e idéias secas, a última cerveja brigava com meus goles teimosos, quase dormi no sofá, um insulto! Larguei-a facilmente e cansada, deixei-a cheinha e gelada, a miserável. Fui dormir.

26.10.05

Proteção

Li numa carta colocada dentro do cesto ao pé de um santo no altar da Igreja dos Enforcados:

Senhor Deus,

Eu erro. Eu erro muito, meu bom Deus. Aliás, eu erro tanto que o erro é minha única certeza: vou errar. Pode ser daqui a duas horas, um dia, dois, mas vou errar. Erro mais cedo que tarde, sempre. E saber disso me dá até uma certa tranqüilidade, meu bom Deus. Não preciso convencer-me de que sou bom mesmo porque não sou bom mesmo. O senhor sabe.

Então Senhor Deus, errarei mais uma vez e com muita certeza. Depois de deixar essa carta aqui com o Senhor, correrei atrás d'um folgado que não erra, e que é mais forte do que eu, para meter-lhe uma porrada no meio da fuça porque ele acerta todas, até a dita da minha mulher.


Que o Senhor me proteja os bagos.

3.10.05

Durmo para ler
Leio para acordar
Acordo para dormir
Durmo para ler
Leio para acordar
Acordo para dormir

29.9.05

Sou anticontemplativo, antinuance, anti "fico longe da tirania do retângulo", anti "movimento e luz", antimistério, anti "pintura de qualidade", antizen e anti "todas essas idéias de movimentos precedentes", nos quais todo mundo entende de tudo profundamente.
Roy Lichtenstein