Rápidas

29.9.05

Sou anticontemplativo, antinuance, anti "fico longe da tirania do retângulo", anti "movimento e luz", antimistério, anti "pintura de qualidade", antizen e anti "todas essas idéias de movimentos precedentes", nos quais todo mundo entende de tudo profundamente.
Roy Lichtenstein

21.9.05

Tudo o que faço é silêncio.

13.9.05

Vez

Se eles fossem outros. Com outras memórias e outras manias. Senhores de outras famas. Se acreditassem na realidade antes de se retirarem voluntariamente intercedendo por seus ferimentos criadores. Poderiam. Se as palavras bastassem enquanto ditas, provando o abraço generoso e a noite chegando lá no dia. Quereres ainda puros então desprezados. Pobre verdade sufocada na rarefação do possível. Verdade, que no auge de sua aparição vislumbrara acordos vivíveis, vontade. E amor, quem sabe, num canto anguloso até seria visto. Poderiam ser algo além, recriando a si mesmos. Poderiam. Ainda que canibais. Talvez chegassem a entrever chances palatáveis de se tornarem menos óbvios.

5.9.05

Minha viúva

Por mais de treze anos ela esteve só. Nunca mais um namorado, um caso, um flerte que fosse. Não, flerte ela teve, mas só no fim, antes do fim fulminante sem que tempo houvesse para nada mais que uma dança fatal nos braços dele, morreu. Minha viúva dedicou-se à liberdade rotineira, gostou de mandar em si mesma. Ela teve um único homem na cama, então fora praticamente revirginada posto que mãe de três filhos adultos. Ficou ela consigo, os filhos com ela e o cachorro nisso. Minha viúva não viu minhas primeiras cãs, meus novos excessos, meu declínio econômico e o de ninguém, ela não viu minha culpa ao desmerecê-la vaidoso. Há alguns anos, minha viúva deixou-me um buraco negro no peito, vago para todo tipo de sentimentos brigados. Sua ausência. Apliquei-me o luto. Corcundei. Não suporto o peso das palavras necessárias, que jamais disse a ela.